sábado, 16 de abril de 2011

Crescer.

Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.

terça-feira, 1 de março de 2011


Vontade de ter você aqui comigo, de nunca mais te larga, de te olha nos olhos e saber que a minha tranquilidade, está toda com você!

Eu me pergunto, é possível sentir falta de alguém que você nunca viu ? Não sei se é saudade ou se a vontade de te ter aqui é tanta, que só de pensar na possibilidade de nunca te tocar, nunca segurar suas mãos, nunca olha em teus olhos, me apavora!

Eu fico imaginando, o jeito que vai ser quando nos encontramos na primeira vez, se vai dar aquele frio na barriga e se nossos melhores sorrisos e olhares se encontraram, finalmente !

Eu sinto aquela falta de poder te abraçar e ficar sem falar nada, só sentindo o teu cheiro e escutando sua respiração!

Mais eu me pergunto, é possível gostar tanto de alguém que você nunca viu ? :x

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011


Eu podia começar contando a história de como você apareceu, e mudou minha vida. Ou eu podia deixar bem claro o quanto eu fui feliz contigo. Mais de que vale isso agora? O que importa o passado, quando o presente é oposto? E também, acho que eu não preciso dizer essas coisas, todo mundo sabe o quanto eu mudei por você ou o quanto eu lutei por nós dois. Tenho certeza de que todo mundo tá cansado de saber, que quem sofre agora sou eu. Me fez acreditar que a realidade era maior, eu fechei os olhos e deixei você me guiar. E agora eu to perdida no meio desse sentimento, que insiste em ficar em mim. Ninguém pode entender o que eu sinto, ninguém sabe as noites que eu passo chorando. Já não é dor, não é decepção, é só um vazio.. acho que a pior dor do mundo, é não sentir dor alguma, é não sentir mais nada. É o medo de se apaixonar, ou de ter algo a desejar. Porque nos meus sonhos ainda passa a imagem de nós dois. Já não tenho esperanças, mais tenho desejos que me sufocam. E saber que você já se foi, já me esqueceu, é como sentir que meu mundo parou, enquanto o seu acelerou os passos. E todo dia eu me sinto sozinha, cercada de gente, mas querendo uma só que não está! E nem nunca estará. Sigo sem saber o que dizer, porque não existem mais palavras entre nós. As vezes só um carinho seu, me faz ganhar o dia mais também só uma palavra tua, quebra meu mundo em pedaços. E quando eu deito na cama, e tento entender mais uma vez o que aconteceu com a gente, fico suplicando em sonhos, aquele futuro que você me prometeu. Eu sinto tudo em volta desabar, quando eu vejo que nossas promessas, nossos planos pertencem agora á aquela que tomou o meu lugar. Nunca fui muito bom nessas histórias, mais eu era bom em amar você. E agora me custa desaprender isso, me diz, se nosso amor era eterno, cade o meu final feliz?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

dois protagonistas. Ou três !


Eu leio um milhão de palavras e só depois percebo que você está em todas elas. Percebo que todas as músicas que ouvi até hoje servem para te dizer o que meu coração ainda não consegue traduzir. Percebo que os textos que guardei em minha mente estavam destinados a apenas uma pessoa. Você demorou tempo demais para aparecer. E eu demorei tempo demais para entender a forma com que o amor pode verdadeiramente mudar as coisas. Mudar as nossas motivações. Enquanto observo a chuva caindo lá fora, ensaio aquelas velhas frases que não puderam ter destino. Sei que existem barreiras para impedir que elas cheguem. E não posso chegar também. Não posso mais viver de palavras. Não posso mais viver esperando que suas promessas se concretizem. E esperando que meu coração pare de dar mil voltas para encontrar um ponto seguro aonde aportar. Eu cansei de emudecer minhas verdades. Entendi que isso não tem sentido, nem razão, nem fim.




P. Castro.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A sucessão dos minutos.


O tempo é traiçoeiro. Pode curar feridas e também apodrecer sentimentos. O fato é que o tempo é o veneno e a cura. Não conseguimos ver o tempo passar quando estamos sorrindo, e quando nossa felicidade acaba subitamente, é que percebemos quanto tempo já passou, e o quanto nos apegamos as pessoas, que foram o pivô da sua felicidade e da sua perca de felicidade súbita também. E é ai que você percebe o tempo, ele passa lentamente, e trás as lembranças mais dolorosas. Passo a contar quantos dias já consegui aguentar sem sentir sua mão na minha, e me lembro todo momento que você entrou e saiu da minha vida, da mesma maneira, inesperadamente.
Você acordou dos meus sonhos, calçou seus sapatos, saiu pra organizar sua vida, nessa hora eu já não fazia mais parte dela. E tudo que você queria era tempo. Nunca soube dar isso, na verdade nunca souber entender, achava que a única coisa necessária era o amor, acho que me enganei.
Desde que você se foi, as noites se tornaram dias inteiros, e a cada hora que passa, ainda estou sentada no mesmo lugar, esperando você dizer que voltou. Voltou pra compartilhar de novo, o mesmo tempo.
Ando tentando responder as coisas que me perguntam, e tento também escolher o que ouvir, mas sempre torço mesmo pra você ser o próximo a me dizer que tudo já está bem. Queria poder ouvir de novo eu te amo todos os dias. Ter alguém me desejando boa noite todos os dias novamente, alguém não, você. Queria mesmo que meus olhos não escorressem mais, que essa dor parasse, que o tempo passasse.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Como sei que te amo ?


Bom, talvez porque meu corpo estremece cada vez que eu te vejo online. Porque o meu ciúme é tão grande, que escorrem lágrimas ao te ver com outra. Porque eu sinto vontade de falar isso a todos, menos a você. Porque a cada vez que eu ouço a palavra ‘AMOR’, é o seu nome que surge na minha mente.Não entendo. Por que você é tão perfeito? Por que você me faz te amar tanto assim? Por que é você que me faz tão bem, e ao mesmo tempo tão mal? Somos como, sol e chuva; céu e mar; preto e branco; sim e não; fogo e água; paz e guerra; gato e rato, e todos os opostos. Pena que dizem que opostos se atraem. Incrível como você me deixa boba, com um simples oi. Como você me deixa feliz apenas ao dizer que vai voltar. Eu não consigo enxergar erros em você, mesmo sabendo que você erra a toda hora. Você se encaixa tão bem em mim, mas não percebe isso. Mas o mais incrível de tudo é como eu me apaixonei por você.É um amor tão velho. Tão grande. Tão inexplicável. Tão besta. Tão desnecessário Ah, como eu queria te deixar de vez. Parar de te amar. Te esquecer. Te deixar ser feliz com outra. Quem dera…Que meus sonhos se realizassem. Que eu te quisesse só como amigo. Que eu nunca tivesse te conhecido. Que eu nunca tivesse começado a te amar…Só lamento por sofrer tanto assim [..]

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Por fim, não houve dor de partida.




Eu te observava distribuindo as louças na mesa, ordenando ou trocando as suas ordens, entregando-me o jornal diário. Olhando-me com os olhos nulos depois de anos com brilho, sempre com o mesmo olhar longe, como se o que visse não estivesse ao seu redor, como se guardasse no fundo do olhar algum plano, alguma história em andamento. Tu não sabias mas eu, sempre soube.
Sei que acordava no meio da noite com um feixe de luz riscado na escuridão do quarto, apalpava o meu lado da cama e sentindo-o vazio, pensava que eu deveria ter ao menos fechado a porta para disfarçar minha falta de vontade em ficar. Sei que fingia estar dormindo e até mesmo sonhando, quando não tirava os seus ouvidos da lentidão dos meus passos que rondavam a casa em busca de respostas, faltas e voltas. Sei que quando eu saia para o trabalho você ajeitava a casa de uma outra forma, tirava os vasos de flores de cima da mesa, recolhia as canetas que eu havia deixado espalhadas pelos cantos, abria mais as janelas, respirava mais ar puro e antes de eu chegar voltava cada detalhes ao seu local inicial. Sei que quando eu voltava, você esperava ouvir minha voz cansada invadindo todos os cômodos reclamando sobre pequenos acontecimentos do meu dia, para levantar do chão e parar de sonhar com um marido mais românticos ocupando o meu lugar na cama, com passeios ao parque e com filhos rondando suas pernas a pedir por colo. Eu sempre soube.
Não houve dor, é claro que não houve. De seus olhos não verteram lágrimas, suas bochechas mal empalideceram quando a descoberta chegou aos seus ouvidos e suas mãos, elas não tremiam quando se desfez da aliança quase unida ao seu dedo.
- Como foi que descobriu?
- Eu sempre soube. - Fraquejei na falta de palavras. - Não lhe importa como. Eu apenas sei.
O silêncio invadiu todos os cômodos, os pássaros pareciam ter parado com as suas cantorias, os ponteiros do relógio aquietaram-se durante aquele instante, não havia o que fazer. Os nossos olhos, perdidos naquele estranho diálogo, não souberam para onde olhar. Nossas bocas encerraram a pequena troca de palavras, sem se fecharem totalmente. As respirações nem se alteraram. Já esperávamos por este fim.
Te ajudei a carregar as malas, chamei um táxi e até me preocupei em não demonstrar minha falta de dor com essa sua partida-sem-volta. Desviei meus lábios dos seus e quando o carro que te levava acelerava avenida adiante, fechei meus olhos para não ver sua mão comprimida no vidro e seu olhar fixando a última imagem da nossa casa no seu interior.
Não houve dor. Houve apenas uma dúvida. Por ela não saber que eu não era apenas personagem e sim, narrador.