Viajei, fugi pra bem longe. Pra tentar esquecer. Mas como deixar de lado tudo o que passou, se tudo o que quero é só esse amor ? Você se foi, e junto à ti, foram as minhas alegrias, meus sonhos, e tudo aquilo que me fazia permanecer nesse caminho. Foram-se também as cartas, agora molhadas e rasgadas, e todas as palavras ditas, foram da boca pra fora, você nunca se importou mesmo, não é verdade? E nem me venha com esse papo de que desistiu por não ter mais condições de sofrer. Quanto tempo faz que não nos falamos ? Nada é mais como no início.
Estou indo embora. Já tentei de tudo. Mas ainda pior que a convicção do não, e a incerteza de um talvez, é a desilusão de um quase. Isso me entristece, e me mata, trazendo tudo o que poderia ter sido, e não foi. Porque quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou, não amou. Basta pensar nas oportunidades que se escaparam entre os dedos, nas chances perdidas por medo, e nas idéias que ainda não saíram do papel, por essa maldita mania de viver no outono. Contesto, o que nos leva à viver no morno ? Gaste mais horas realizando que sonhando.
domingo, 23 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
E assim,
Diante do barulho do ventilador, ouvindo alguma música que afoga as dores ou talvez, as deixe mais evidentes. Enquanto meu coração não parava de sangrar, meus olhos não estancavam as lágrimas. Meu travesseiro já tinha uma grande poça, minha cabeça já estava explodindo, dessa vez, eu já tinha a certeza que não aguentaria mais. Doía em tantos lugares que já não era capaz de diferenciar. Sentia-me anestesiada. Tentava abafar os soluços temendo estar sendo ouvida por alguém, embora sempre tivesse a impressão de alguém atrás da porta. Alguém que se segurava para não entrar e me tranquilizar. Quem dera fosse você, abrisse a porta e tirasse o que eu tinha e mãos, me impedindo de fazer loucuras.
Mas já tinha começado há tanto tempo e não conseguia enxergar vestígios de que pararia tão cedo. Estava sem forças, sem palavras. As coisas já estavam graves demais para se aguentar, as outras saídas já haviam sido trancadas. Consegui um movimento. E assim, a dor parou, o meu coração parou, minhas lágrimas pararam, minha respiração parou.
Mas já tinha começado há tanto tempo e não conseguia enxergar vestígios de que pararia tão cedo. Estava sem forças, sem palavras. As coisas já estavam graves demais para se aguentar, as outras saídas já haviam sido trancadas. Consegui um movimento. E assim, a dor parou, o meu coração parou, minhas lágrimas pararam, minha respiração parou.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Atravessando a rua calmamente dedicava-lhe cada passo inseguro para o desejo de lhe encontrar novamente. Eu nem sei o sei nome, pensava, mas a cor dos seus olhos eu sei. Nas manhãs de domingo daquele fim de verão, enquanto escrevia distraída, viajava de olhos fechados para um mundo onde só a nossa música que tocava. A música que nos unia, você também sabia que ela era nossa e descobria-me como eu sempre quis ser aos seus olhos. Com dificuldade eu voltava para a realidade. Passava as minhas mãos em minhas coxas, no meu ventre, nos meus cabelos. Abraçava-me e sussurrava baixinho abafando minha voz rouca nas cobertas o que eu te diria se você viesse e encontrasse a melodia que em mim reinava. E você veio. Deixando-me cheia de dúvidas, sem saber se era o ponteiro do relógio que havia parado ou se era eu que havia me perdido no tempo, querendo não saber voltar, querendo permanecer ao seu lado. Não havia motivos, não precisávamos de motivos, era este amor ardendo em nossos peitos e só. Como carícias ao som da nossa melodia. Construímos um espaço no interior de nossos interiores e guardávamos cada um em seu lugar, você no meu e eu no seu. Destruímos alguns muros que nos dividia e ardia em nossos peitos cheios de dúvidas. Agora entre suspiros em multidões barulhentas, sorrisos discretos em espelhos que refletem a solidão do cômodo, paramos de colorir os dias. É este amor ardendo em meu peito e só. Agora somente no meu. As luzes estão apagadas. A lua já chegou e o fim do verão também. Os móveis estão cobertos de pó. Os meus passos caminham com medo de um reencontro. Seus olhos brilham mesmo sabendo que estou trancada em um mundo descolorido que criamos juntos. Respiro fundo, procuro a fragrância das flores mortas que você me deixou, tento encontrar alguma nota atrasada da melodia que se silenciou e nada. Nada mais sobra desta noite estrelada, nem um simples sonhar com novas melodias que os meus ouvidos nunca ouvirão.
pensei que era liberdade, mas na verdade era só solidão.
Eu, que amo tantas pessoas, que distribuo tanto sorrisos, que crio tantas solidões, que desejo tantos rencontros. Eu, que quando fecho os olhos, encontro um mundo inteiro e posso conduzir os passantes como se fossem todos pequenas marionetes presos aos meus dedos. Eu, que me perdi nas minhas incertezas, nos meus planos falhados de amores inexistentes. Eu, que passo mal em pensar em dar um passo a frente. Eu, que me apoio em lembranças doces que nunca sairam do papel. Eu. Eu já não sei mais como voltar, portanto, ficarei aqui. Brincando de marionetes com pessoas que só tem vida porque eu as criei. Eu, ficarei aqui, neste mundo que só existe para mim.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
alone.

Eu gosto de me isolar. Eu realmente não gosto de ter muitas pessoas ao meu lado, eu gosto de viver num mundo só meu, onde apenas eu me entendo. Me sinto segura quando estou sozinha. Parece que dessa forma as pessoas não vão me machucar, nem roubar nada de mim. Tenho vontade de preservar todos os meus sentimentos, não quero vê-los destruidos novamente. É por isso que fico presa dentro de quatro paredes o dia todo. Já ouvi muitas vezes que eu deveria aproveitar a vida, sair mais, me divertir, ter mais amigos. Só que no meu ponto de vista eu não preciso estar em festas pra poder sorrir e não preciso ter uma quantidade significativa de amigos pra ser feliz. Eu preciso dos meus pensamentos, preciso de um lugar calmo, preciso de paz. É, exatamente isso. Eu preciso.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
05/01/2011.
Existe uma parte em mim que quer. Mas que tudo, esta parte quer que os fantasmas voltem, que o meu sono seja interrompido, que meus ouvidos encontrem confissões nunca ditas suspensas em silêncios agonizantes, que os meus vazios durem mais que uma eternidade, que a sanidade me esqueça e os velhos amores entristecidos voltem a me machucar. Esta parte sempre está presente, desde os primeiros bons-dias que a manhã me obriga a dizer até aos últimos suspiros antes de mergulhar no sono profundo. Essa parte me faz ler todas as cartas não enviadas. Me faz lembrar de todas as falas que interrompi, de todas as palavras que deveria ter dito, de todas as ocasiões que não aconteceram. Esta parte me faz sangrar, como se só o que sangrasse, valesse a pena. Esta parte, ela é quase o todo. Ela insiste e no final eu acabo acreditando que se não houver melancolia, se não houver corações quebrados e dores em meu ser, o fim não está certo. É claro que existe a outra parte, a parte que me faz recusar a doçura da dor e me faz fugir das antigas lembranças. Mas esta outra parte é tão fraca, tão pequena, que você sempre vence.
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