quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

05/01/2011.

Existe uma parte em mim que quer. Mas que tudo, esta parte quer que os fantasmas voltem, que o meu sono seja interrompido, que meus ouvidos encontrem confissões nunca ditas suspensas em silêncios agonizantes, que os meus vazios durem mais que uma eternidade, que a sanidade me esqueça e os velhos amores entristecidos voltem a me machucar. Esta parte sempre está presente, desde os primeiros bons-dias que a manhã me obriga a dizer até aos últimos suspiros antes de mergulhar no sono profundo. Essa parte me faz ler todas as cartas não enviadas. Me faz lembrar de todas as falas que interrompi, de todas as palavras que deveria ter dito, de todas as ocasiões que não aconteceram. Esta parte me faz sangrar, como se só o que sangrasse, valesse a pena. Esta parte, ela é quase o todo. Ela insiste e no final eu acabo acreditando que se não houver melancolia, se não houver corações quebrados e dores em meu ser, o fim não está certo. É claro que existe a outra parte, a parte que me faz recusar a doçura da dor e me faz fugir das antigas lembranças. Mas esta outra parte é tão fraca, tão pequena, que você sempre vence.

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