quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ociosa, e você indo embora.

Inerte, sem movimento nem lágrimas, jogada, unida e escorada na parede, olhando todos os cantos, todas as bordas, todas as esquinas e entradas de ruas, à espera de algo que nunca vêm. Ali, à sua espera. Tornando minha a indecisão confusa do sol, que não sabia escolher se queria mesmo abandonar o meu jardim e trocar de continente ou continuar e aceitar e beber um pouco de meu drama, ainda quente. Assim, perdida em esperas e quase fatos, percebo que o pó cobriu tudo, novamente. Noto que já se passaram horas e horas de tantos dias e mais dias. Vejo que as canecas sujas só se acumulam perto do abajur, que minhas olheiras só aumentam e por fim, sinto que você ainda não chegou até mim. Tudo que é seu, um dia, já foi parte de mim. E tudo o que é seu faz falta em mim. Mas você nunca lembra, você não sente, você nem ao menos chega perto daquelas nossas antigas cartas.
Em algum momento, antes ou depois da milésima olhada para o relógio, escuto passos. Meu coração para e dois segundos depois, volta a bater, mais vivo do que antes. E alguma coisa muda no modo como volto a respirar. Mais intenso, mais confuso e mais aquela doce sensação de ser eu-e-você. Fecho os olhos, aperto-os firme, abro e olho, para ter certeza. Você está mesmo aqui, cochicho. Então vejo, entre as iniciais de nossos nomes gravadas no vapor morno da vidraça, seu corpo jogado entre as gotas gordas que caem do céu. Vejo o seu olhar e ele brilha ao encontrar o meu, exatamente como eu me lembrava, exatamente como eu queria que fosse. Mas espera, porque o desviou, o que aconteceu? Eu estou aqui, querido. Seus lábios carnudos se contraem e um sorriso torto para o lado esquerdo é formado mas, agora, você está de costas construindo passos para a direção contrária a mim, para longe do nosso velho eu-e-você.

algumas mudanças doem, mas concordo com você, são realmente necessárias !

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